Para dançar e ser feliz, observando a beleza do próprio corpo e a importância de ser única.
Rádio da Innana
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
terça-feira, 28 de outubro de 2014
terça-feira, 21 de outubro de 2014
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Nadia Gamal (1937-1990)
Nadia Gamal é filha
de mãe italiana e pai grego. Nascida como Maria Carydias em
Alexandria no Egito, sabia tocar piano, era versada em diversas
modalidades de dança como ballet e sapateado e começou a atuar
junto com sua mãe no teatro e dançando músicas folclóricas
europeiass. A oportunidade da dança do ventre veio aos 14 anos com
um convite para dançar no Líbano, apesar da proibição do pai
devido a pouca idade da bailarina. Depois de começar a carreira,
transformou-sem uma bailarina muito popular, estrela de vários
filmes árabes e indianos. Em 1968, foi a primeira bailarina de
dança do ventre a se apresentar no Baalbeck International Festival.
Dançou no Cairo Opera House para o rei Hussein e para o xá
iraniano. Fez turnê pela Ásia, Europa, América Latina, América do
Norte. Falava sete línguas e foi a primeira bailarina a dançar o
Zar em uma performance oriental. Foi diagnosticada com câncer em
1990 e, durante o tratamento, contraiu pneumonia e morreu.
É conhecida pelo
trabalho de chão que faz em suas danças, pela dramaticidade
provavelmente herdada de sua mãe, que trabalhava no teatro, pelos
deslocamentos rápidos e grande intensidade em seus movimentos. Usava
magistralmente os snujs. Relacionou-se amorosamente com Farid El
Atrach (cantor e ator), Setrak Sarkissian (músico), Shafiq Hashe
(violinista), e Mounir Maasiri (cineasta).
Sempre dizia que:
“eu
danço para mim mesma, não para a plateia. Eu tenho sido uma
bailarina profissional por mais de 35 anos e ainda me sinto como uma
estudante. Um artista não pode nunca parar de aprender porque a arte
não tem limites. A dança oriental é a dança da feminilidade e a
bailarina deve expressar o que sente com o corpo, a face, as mãos...
amor, fúria, alegria, ódio”
terça-feira, 16 de setembro de 2014
terça-feira, 2 de setembro de 2014
terça-feira, 26 de agosto de 2014
LEVANTA E DANÇA!
A fibromialgia machuca tanto o corpo que a alma se despedaça. Não é possível falar dessa doença sem falar da depressão. Sem dormir, com dores absurdas, um mundo carregado de incompreensão, levam a mulher a uma tristeza profunda, a acreditar que é incapaz e que tem menos valor. Relacionamentos são prejudicados e tudo é só uma casa desabando. Eu tenho os dezoito pontos da dor e sei que, nos momentos da crise, dá vontade de se bater contra a parede, de desistir, de ficar deitada e apenas chorar.
É nessa hora, entretanto, quando nada faz sentido, quando a vida é um fardo, quando não se vê saída, que a subida para o bem-estar pode ter seu início. Levanta e dança! Vai doer, você não terá forças, estará exausta, mas se OBRIGUE. As endorfinas vão começar a circular, seu corpo irá se soltar e as dores, se não diminuírem, pelo menos terão importância menor que a alegria de ver que seu corpo também é capaz de coisas tão bonitas.
Não há remédio que cure, não há tratamento que cure. É a batalha de uma vida inteira. Sim, haverá momentos em que a cama será o único desejo, que você irá gemer e chorar. Pega tuas lágrimas e DANÇA! O movimento, a música de que você gosta, o alongamento, a força, alcançar aquele passo, tudo isso é melhor que Lyrica, Cymbalta, Fluoxetina, Venlafaxina e qualquer outra droga que nos rouba de nós mesmas. A dança é uma arma a seu favor nesse combate, é sua ilha de bem-estar, é o arco-íris a ser visualizado quando tudo ficar cinza, é ali que você irá colocar seu coração nos momentos de grande dor. Um dia de cada vez. E dança todo dia.
É nessa hora, entretanto, quando nada faz sentido, quando a vida é um fardo, quando não se vê saída, que a subida para o bem-estar pode ter seu início. Levanta e dança! Vai doer, você não terá forças, estará exausta, mas se OBRIGUE. As endorfinas vão começar a circular, seu corpo irá se soltar e as dores, se não diminuírem, pelo menos terão importância menor que a alegria de ver que seu corpo também é capaz de coisas tão bonitas.
Não há remédio que cure, não há tratamento que cure. É a batalha de uma vida inteira. Sim, haverá momentos em que a cama será o único desejo, que você irá gemer e chorar. Pega tuas lágrimas e DANÇA! O movimento, a música de que você gosta, o alongamento, a força, alcançar aquele passo, tudo isso é melhor que Lyrica, Cymbalta, Fluoxetina, Venlafaxina e qualquer outra droga que nos rouba de nós mesmas. A dança é uma arma a seu favor nesse combate, é sua ilha de bem-estar, é o arco-íris a ser visualizado quando tudo ficar cinza, é ali que você irá colocar seu coração nos momentos de grande dor. Um dia de cada vez. E dança todo dia.
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
terça-feira, 5 de agosto de 2014
sexta-feira, 4 de julho de 2014
quarta-feira, 25 de junho de 2014
FARIDA FAHMY
Farida Fahmy nasceu
em 1940 no Cairo, filha de uma britânica e de um engenheiro egípcio.
Sua biografia está visceralmente ligada à história de Reda Troupe,
um grupo que transformou em grandes espetáculos teatrais o folclore
egípcio. Sua irmã Nadya era casada com Mahmoud Reda, que resolveu
organizar juntamente com seu irmão, Ali Reda, um dos mais famosos
grupos da dança oriental. Conhecida pela suavidade com que
entrelaçava um movimento ao outro, é a única mulher co-pioneira do
grupo.
Aos dezessete, estrela seu primeiro filme. Casa-se com Ali Reda e são, assim, dois irmãos para duas irmãs. Durante a década de 70, passou a desenhar os figurinos para a troupe, que eram um primor de elegância, jogo de cores e qualidade. Recebeu o título de Star of Jordan (1965), Egypt's Order of Art and Science e The Order of Tunisia (1973). Tem mestrado em arte e etnologia da dança pela Universidade da Califórnia (UCLA) e já visitou mais de 60 países para apresentações e workshops. Foi estimulada a praticar esportes e a dançar desde a infância. Sua graciosidade e acuracidade técnica a tornam uma bailarina única. Afirmava ser uma flor em um buquê. Melda, nome original de Farida, acompanhada pela irmã e a mãe, confeccionaram os primeiros figurinos da Reda Troupe. Seu pai foi um grande incentivador de sua carreira e foi ameaçado várias vezes por permitir que suas filhas dançassem. Na revista americana Ballet Today (1961), apresentaram a seguinte fala de Hossam Fahmy, pai de Farida:
Aos dezessete, estrela seu primeiro filme. Casa-se com Ali Reda e são, assim, dois irmãos para duas irmãs. Durante a década de 70, passou a desenhar os figurinos para a troupe, que eram um primor de elegância, jogo de cores e qualidade. Recebeu o título de Star of Jordan (1965), Egypt's Order of Art and Science e The Order of Tunisia (1973). Tem mestrado em arte e etnologia da dança pela Universidade da Califórnia (UCLA) e já visitou mais de 60 países para apresentações e workshops. Foi estimulada a praticar esportes e a dançar desde a infância. Sua graciosidade e acuracidade técnica a tornam uma bailarina única. Afirmava ser uma flor em um buquê. Melda, nome original de Farida, acompanhada pela irmã e a mãe, confeccionaram os primeiros figurinos da Reda Troupe. Seu pai foi um grande incentivador de sua carreira e foi ameaçado várias vezes por permitir que suas filhas dançassem. Na revista americana Ballet Today (1961), apresentaram a seguinte fala de Hossam Fahmy, pai de Farida:
“Dançarinos
homens eram considerados efeminados e mulheres bailarinas
consideradas vulgares. Nossa meta é convencer as pessoas que dançar
é uma arte em que pessoas de boas famílias podem participar sem
embaraço. Minha família e amigos ficaram chocados quando souberam
que permiti que minha filha dançasse em um palco. Devo confessar que
eu fiquei em choque quando minha filha Nadeeda quis se casar com
Mahmoud Reda, mas eles me convenceram e agora queremos convencer o
público que dançar é uma arte. “
Farida se afastou
dos palcos com pena para fazer seu mestrado, mas seu pai a alertava
que era preciso alimentar a mente, já que a juventude tem fim e ela
não poderia estar nos palcos para sempre. Nas palavras dela:
“Eu estava
totalmente entregue ao que estava fazendo. Eu adorava estar no palco.
Eu adorava o palco. Eu tinha uma intuição de palco que raras
pessoas tinham. Eu sabia que as pessoas e amavam e sabia como chegar
até elas. Havia uma energia que eu sentia que vinha das pessoas, do
pública, da vida, da minha vida cotidiana, do taxista ao açouqueiro
e ao ministro.”
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Nós, os sem ninho
Disseram que
teríamos casa para ensinar
E nos deixaram sem
teto
Disseram que o bom
professor dá aula em qualquer lugar
E se esqueceram de
que o professor não é a vida
Não precisa o
médico de seus equipamentos?
Não precisa o
engenheiro de seu concreto?
Do que precisaria o
professor além de suas palavras?
De que precisariam
os construtores do saber além de seus corpos?
De um ninho
Assim como o pássaro
precisa usar toda sua tecnologia para proteger os filhotes
Não é o saber algo
a ser nutrido para que cresça sem limites?
O lugar dos
educadores é geográfico e é infinito
São espaços de
tijolos agasalhando o imensurável desenvolver das sementes humanas
Disseram que
deveríamos fazer a pedagogia da miséria
Enquanto recebiam as
brisas frescas em seus castelos
Disseram que a
educação não precisa de muito alimento
Enquanto arrotavam
seus estômagos entupidos de iguarias caras
Disseram que a culpa
da miséria é do miserável
E se esqueceram que
a culpa do oprimido é o opressor.
Disseram, disseram
muitas coisas
E suas palavras
soltas em ventanias
Aspergiram venenos e
discórdias
Colocando espelhos
em espelhos
Até que seus atos
não pudessem ser observados
E fizeram muito mais
com sua pedagogia do não
Mas, aqui,
empunhando esse conhecimento gerado pelos recursos dos homens,
da natureza, e do
pensar ininterrupto
Daqui, de onde
perduram os ideais
Eu vejo o lar dos
que ensinam
É uma casa de
enormes braços e janelas
É um ninho em que
são nutridos seres humanos de muitos caminhos
Daqui, de onde a
luta pela justiça se mostra desanimadora,
De onde irmão atira
contra irmão
Daqui, brota a força
vital do ensino
O inconformar-se
para construir
Disseram que é a
vontade que faz as coisas se acertarem
E apresentaram
pratos vazios para que os enchêssemos de comida apenas com nossa
fome
Disseram que o bom
educador tem uma estranha mágica
A mágica de ser
Deus, com a palavra, gerar a matéria
E o educador disse
“que se façam os livros”. E nenhuma folha brotou
E o educador disse
“que se façam os equipamentos”. E apenas o vento vazio soprou
Que nos desculpem os
reis encantados por reinados
Mas não somos Deus
Somos apenas seres
pequenos e mortais
Sem poder de
assinatura
Sem o cetro de
governar
Nosso poder é pouco
para os seus papéis
Ele é um gigante
quando toca a vida das pessoas
E, ao
apresentar-lhes que atrás dos castelos moram homens comuns afogados
em autocontemplação,
Verão que as
muralhas são apenas papel fino
Disseram que não
somos importantes
Mas nós não
ouvimos
E queremos nosso
campus para cultivo
E ele se encherá de
música, sonhos, ações, reações
Queremos vida em
nosso cultivo
E nós diremos
Isso é terra de
vida
Não é um túmulo
Aqui, serão tecidas
delicadas existências
Perenes resistências
Queremos o campus
para o trabalho e para a alegria
Porque nas palavras
que aqui temos
Está o coração do
futuro
segunda-feira, 16 de junho de 2014
NAIMA AKEF
1939-1966
Naima Akef era neta
de um ex-oficial, professor de ginástica e treinador que resolveu
entrar no ramo do circo. Seus pais eram acrobatas e, aos quatro anos
já se apresentava com a família. Aos quatorze anos, Naima enfrentou
o divórcio de seus pais. Seu avô conseguiu um teste para ela com
Badia Masabni, e ela conseguiu seu primeiro contrato. Aos quinze
anos, já era uma bailarina conhecida. No Ki Kat Club conheceu seu
futuro marido, Hussein Fawzy, uma famoso diretor de cinema, e apesar
da diferença de 25 anos deidade, se casaram. Aos quinze anos, ela
já era uma estrela de cinema.
Ganhou vários concursos. Dançou mais em
filmes que em clubes noturnos. Ficou conhecida pela sua generosidade
e disponibilidade em ajudar. Era excelente na criação de suas
rotinas de dança e também seguia com rigor as coreografias feitas
para ela. Contam-se duas famosas histórias a respeito de Naima. Uma
delas, ela, ao invés de descansar nos intervalos das gravações de
um filme, se dispõe a ensinar uma das figurantes que estava com
dificuldade em executar os passos. A outra conta que Naima despertou
muita inveja nas bailarinas que se apresentavam com ela no Badia
Club. As invejosas se juntaram para machucá-la, mas ela conseguiu se
defender e revidar graças a sua força e agilidade. Todavia, perdeu
o emprego e conseguiu se posicionar no clube onde encontrou seu
primeiro marido. As raízes ciercenses de Naima encontram expressão
em sua dança, na expressividade de seus movimentos, na
expressividade que lhes oferece, na teatralidade de suas
apresentações.
Ela se divorciou de
se seu marido em 1958 e casou-se, posteriormente, com Salah Abdel
Aleem, com quem teve um filho. Retirou-se ainda cedo dos palcos e do
cinema para dedicar-se a seu filho. Naima morreu, aos 27 anos, vítima
de câncer.
sexta-feira, 6 de junho de 2014
quarta-feira, 28 de maio de 2014
terça-feira, 27 de maio de 2014
segunda-feira, 26 de maio de 2014
MONAH SAID
Nascida Monah
Ibrahim Wafa, no Egito, fugiu para o Líbano aos treze anos para
atuar profissionalmente na dança e para fugir de seu pai, que queria
matá-la por envergonhar a família sendo bailarina. Alertada pela
mãe, fugiu. Cinco anos depois, em 1975, retornava ao Cairo já como
bailarina reconhecida no Oriente.
Tahia Carioca a apelidou de
princesa do Raks Shark. Sempre buscava os melhores músicos para suas
apresentações e gostava de se apresentar com grandes orquestras.
Sua leitura musical era tão precisa que, por vezes, ela comandava os
músicos e, em outras, os músicos a conduziam. Foi estrela de sete
filmes. Seu estilo preciso, tipicamente egípcio, de movimentos
contidos, braços liricamente trabalhados e sua ênfase em movimentos
de contenção pélvica apresentaram ao universo da dança novas
leituras. Sua apreciação dos humores da música apresentavam à
plateia o amor pela dança, seus movimentos fluidos, bem marcados,
resultado de grande controle corporal, evidenciam seu grande domínio
técnico.
É uma bailarina alta, de 1,75 m. Uma das suas assinaturas
é parar em alguns momentos para enfatizar um movimento. Em uma das
aulas de Monah, ela ensinava, “não comece o círculo mostrando seu
estômago” , “traga seu interior para fora”, “ame a si mesma
que os outros a amarão”. Ouviu, aos treze anos, quando dançava
em um clube chamado Triang a Go Go, foi chamada por Anwar Amar, que
lhe disse que deveria se tornar bailarina profissional, pois era
bonita e dançava muito bem. Leila Murad, uma grande cantora da
época, estava ao lado dele e reforçou “você deve dançar, você
tem um aparência artística. E nunca se case, dedique-se a sua
dança.” Casou-se sete vezes e seu primeiro marido era filho do
presidente do Líbano. Questionada pela quantidade de casamentos,
responde “Eu gosto de homens. Por isso mudo tanto”. Não
conseguiu ter filhos.
Uma de suas frases,
“Se você é uma boa bailarina, se você tem um bom estilo, você
voa como um Concorde. Você não tem que se sentar no chão, comer
areia ou pedras. Eu sou um Concorde”. Dançava na meia ponta,
gostava de marcar as contenções e de marcar os shimmies com a perna
de trás e marcava esse movimento com uma contenção de abdômen.
Seus figurinos luxuosos são referência até hoje. Quanto à
carreira de bailarina, dizia que não gostava de dançar noite, após
noite, ano após ano, que gostava de dar pausas, para que a dança
não se transformasse um fardo. Foi uma das treinadoras das
bailarinas de Bellydance Superstars.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
NAGWA FOUAD
Awatef Mohammed El
Agamy, conhecida comoNajwa Fouad, nasceu em 06 de janeiro de 1939,
filha de pai egípcio e mãe palestina, começou a dançar aos 14
anos em festas tradicionais. A família mudou-se para o Cairo depois
que ela percebeu que poderia dançar profissionalmente. Dançou em
pequenos clubes antes de chegar às grandes casas de espetáculo.
Era
elogiada pela sensibilidade, delicadeza e técnica. Estudou vários
estilos ocidentais como ballet, jazz, sapateado, flamenco, tango além
de aprofundar-se nas danças orientais. Brilhava tanto nas fusões
que realizava quanto nos estilos clássicos e tradicionais.
Como
Hossam Hamzy afirma, era uma bailarina que mostrava a música em 3D,
que personificava a música produzida pela orquestra. Foi casada com
Ahmad Fuad Hassam, produtor e viloinista que a convenceu a fazer
performance no palco de City Lights, onde grandes nomes da música
haviam se apresentado. Como ela mesma afirmou: “Hassam era
dezessete anos mais velho que eu, mas eu precisava dele, ele
desenvolveu meus talentos amadores”. A união durou seis anos e
dissolveu-se porque Nagwa não desejava filhos. Atuou em muitos
filmes, como Sharei El Hob (The Street of Love). Para ela, Mohammed
Abdel Wahab compôs Amar Abaatasher. (a lua de 14 de julho, a face
mais bonita). Quando se aposentou, dedicou-se ao cinema
integralmente. De personalidade forte e extrovertida, alguns artigos
afirmam que Nagwa não apreciava suas contemporâneas Dina, Suheir
Zaki, Tahya Carioca e Samia Gamal. Em uma entrevista, chegou a
afirmar que Dina não prendia sua atenção. Nas palavras de Nagwa,
“essa dança não é apenas sacudir sua cintura e sua bunda”.
terça-feira, 20 de maio de 2014
SUHEIR ZAKI
Soheir Zaki nasceu
na década de 40 em Mansoura, no Egito, em uma época em que
mudanças sociais estavam acontecendo, casamentos urbanos se tornavam
cada vez menos segregadores e um convívio maior entre extratos
sociais aconteciam, os Wahalim, grupos liderados por uma mulher, a
Usta, começaram a se dispersar e a fazer com que as bailarinas se
encarregassem de promover suas carreiras. Soheir, aos nove anos, já
animava festas de casamentos de amigos e familiares. Mudando-se,
ainda muito jovem, para Alexandria, e, sem seguida, para o Cairo,
onde começou a dançar em pequenos e grandes clubes, foi reprovada
em um teste para apresentadora de televisão, mas construiu uma
sólida e grandiosa carreira como bailarina e nos filmes em que
atuou. Aprendeu a dançar em um autodidatismo gerado pelas músicas
que ouvia pelo rádio e inspirada por bailarinas como Samia Gamal e
Tahia Carioca. Foi a primeira bailarina oriental a dançar uma música
da reverenciada Oum Kanthoum. Arriscou-se e foi elogiada pela própria
cantora.
O terceiro presidente do Egito, Mohammed Anwar Al Sadat
afirmou que Soheir Zaki é a Oum Kanthoum da dança, enquanto ela
canta com a voz, você canta com seu corpo” Era uma bailarina de
estilo preciso delicado, que não se valia de artefatos ou de outras
bailarinas, apenas ela e sua orquestra. A música Shik Shak Shok foi
escrita especialmente para ela. Ao contrário da maioria das
bailarinas de sua época, ela não contratava coreógrafos para
auxiliá-la, preferia ser a música, deixar que a própria música
guiasse seu corpo.
Na década de 90, o
declínio econômico e uma onda de conservadorismo quebraram a época
de ouro da dança e Soheir aposentou-se em maio de 2001 e ficou a
ensinar centenas de bailarinas.
Uma de suas frases
mais fortes “Elas (as bailarinas ocidentais de sua época) nunca
atingirão o nível das bailarinas egípcias. Elas não possuem o
espírito vivaz, elas não têm o senso de humor, elas não têm o
ouvido musical. Elas somente executam os passos que aprendem 1, 2, 3,
4. Mas elas não têm o espírito.” Apesar da controversa
afirmação, fica o ensinamento de que a música deve vibrar dentro
da bailarina para que a dança tenha alma.
segunda-feira, 19 de maio de 2014
sexta-feira, 16 de maio de 2014
segunda-feira, 12 de maio de 2014
DANÇA DO VENTRE E FIBROMIALGIA
O diagnóstico de fibromialgia é uma conjunto de desenganos, desrespeitos e desencontro de informações. Até o paciente alcançar essa constatação pela medicina, ele já passou pelo ortopedista, neurologista, psiquiatra, constrangimento familiar, acusações de preguiça e mania de doença. Porque a fibromialgia não aparece no raio-x, no exame de sangue, na tomografia. E, mesmo assim, é uma dor viajante, que deixa suas pegadas fincadas em todo o corpo e que acaba levando à exaustão pela constância do sofrimento e do sono não-reparador. Dizer se a depressão é uma consequência da fibromialgia ou a fibromialgia é uma consequência da depressão, isso ninguém conseguiu responder.
Após um exame no próprio consultório do médico, em que ele irá tocar os chamados pontos de dor, que são dezoito, a paciente pode receber o diagnóstico de fibromialgia se onze deles doerem ao serem tocados. Eu tenho os dezoito e acredito ter inventado outros. Não é uma dor localizada, é o corpo todo doendo difusamente, e, quando a dor é grande, a agonia que dá é como se tivessem nos aplicado um opiáceo, como se estivéssemos profetizando grandes desgraças. E não se dorme ou se dorme muito mal.
Os tratamentos são múltiplos e geralmente integram atividade física, medicação e acompanhamento psicológico. Eu já fiz hidroginástica, hidroterapia, acupuntura, massagem, pilates, natação, tomei lyrica 150mg três vezes ao dia, cymbalta 60mg duas vezes ao dia, passei pelos rivotril, cloridratos da vida... Até que um dia, resolvi dançar. Garanto que eu não me levanto saltitante e vou para a aula de dança, eu me arrasto da minha dor até lá, mas quando a aula começa, não sinto dor, tristeza e mesmo algumas horas depois, ainda sinto bem-estar.
Não vou mentir que a dança do ventre e o balé zeraram minhas dores, mas eles são o melhor tratamento de todos os que experimentei, e, deles, os efeitos colaterais são um corpo mais saudável, forte, flexível, bem diferente dos estragos que os outros remédios provocam. Comecei a dança do ventre há mais de seis anos. Interrompi esse percurso várias vezes, sendo derrotada pelo desânimo e pela dor. Há três anos, resolvi levar a sério, parar de pagar mensalidades e desaparecer das aulas. Fiz dança contemporânea, comecei a fazer balé em seguida e não faltei mais à minha dança do ventre.
Coloquei como tão importante quanto meu trabalho e a educação dos meus filhos. E fui percebendo que, quanto mais tempo de dança eu fazia, mais minha qualidade de vida aumentava. Alcancei resistência, fôlego, e minha percepção positiva das coisas aumentou. Sinto muitas dores, mas, agora, é como seu estivesse em alto-mar sabendo o endereço de cada ilha onde tem água e areia morna para descansar. Sempre que chego das aulas, estou em paz, cheia de energia e sem dor alguma. Mesmo depois de alongamentos punk da aula de balé.
Finalmente, aos 36 anos, consegui achar bonito o que está no espelho, consegui me enxergar mulher e uma satisfação com meu corpo que nunca pensei em atingir. Não mudaria nada, nem minha pele da barriga toda soltinha depois de duas gravidezes em que engordei mais de vinte quilos em cada uma. A dança do ventre traz o prazer do movimento, me coloca em movimentos que meu corpo alcança, tenho prazer enorme nos sinuosos, gosto de sentir meus músculos sendo trabalhados e atuando em função da dança. O que mais me exige treinamento são os shimmies, tremidos, porque eles demandam pernas e quadril e, por vezes, a fibromialgia provoca uma tensão tão grande em todo corpo que os movimentos todos se travam, preciso me aquecer nos sinuosos, me alongar e só aí alcançar esses movimentos.
Acho lindo o jogo com o tronco, os cambrets, mas tenho três hérnias na coluna que me exigem cuidado. Todavia, sinceramente, não são elas que me seguram na extensão desses passos, são os músculos que se retesam e seguram. Nessas horas, melhor aquecer tudo de novo. Todo o corpo fica em estado de tensão por causa das dores, por isso preciso tanto me alongar e por isso preciso tanto do balé para fortalecer minha musculatura de forma ainda mais acentuada.
Houve um dia em especial, que cheguei em casa aos prantos, porque nenhuma das sequências que planejei fazer ficaram boas porque meu corpo se recolheu a si mesmo e me deixou à deriva da dança que tanto amo. Pensei em desistir e me entregar. Para que insistir em algo onde eu nunca alcançaria a excelência, em que estaria sempre estagnada na mediocridade. Ainda bem que tenho amigos e professoras que me empurraram, me abraçaram e me olharam com a generosidade que eu mesma era incapaz de me dar.
E continuei, me obriguei, porque, para um corpo fraco, há que se ter um espírito forte. E cheguei a uma conclusão que funcionou como um bálsamo milagroso, uma anestésico para a dor, uma cura mental e física. Eu estava olhando tudo errado. Eu estava com o espírito perverso da competição ao invés da evolução. E, finalmente, entendi, que meu corpo é muito maior que o destino a ele dado. Entendi que meu corpo é meu amigo, que quando um movimento foge de seu alcance, ele me dá outro tão bonito quanto. Entendi que meu corpo não é incapaz. Meu corpo é um universo colorido cheio de novas entradas e saídas e todas elas podem me levar a danças ainda não feitas, a histórias que quero contar, a um mundo onde é possível não ser definido pela dor. Dançar é uma oração que faço todos os dias. Com a dança, enfeito o meu altar mais valioso, o meu corpo.
Hoje, sou professora de dança do ventre, porque eu quero oferecer às mulheres o espelho que elas merecem. Que elas se fortaleçam, não para competirem entre si, mas para crescerem juntas, mudarem o mundo com sua sinergia. Obrigada, fibromialgia, sem você, eu não teria me dedicado tanto. Sem a minha asinha quebrada, eu não teria voado tanto...
domingo, 11 de maio de 2014
segunda-feira, 5 de maio de 2014
sexta-feira, 2 de maio de 2014
segunda-feira, 28 de abril de 2014
sexta-feira, 25 de abril de 2014
quinta-feira, 24 de abril de 2014
terça-feira, 22 de abril de 2014
quarta-feira, 16 de abril de 2014
terça-feira, 15 de abril de 2014
CANDELABRO
Dança na qual a bailarina usa um candelabro sobre a cabeça.
Recomenda-se que haja um véu sobre a cabeça, embaixo do candelabro.
O candelabro pode ter de 7 a 14 velas, dependendo da preferência.
Quanto menor o número de velas, menor o candelabro, e mais
delicado.
Seu nome egípcio é Raks El Shamadan e sua provável
origem é grega ou judaica.
É uma dança antiga que fazia parte das celebrações egípcias
de casamento, nascimento e aniversários, como ainda o é em muitos
países árabes.
Assim, é comum que uma bailarina entre como
em um cortejo à frente dos noivos, dançando com o candelabro. Desta
maneira ela procura iluminar o caminho do casal, como uma forma de
trazer felicidade para ele. É uma dança que serve para celebrar a
vida e a união entre as pessoas.
Não tem traje ou ritmo específico, mas geralmente dança-se ao
som do ritmo Zaffe ou na versão mais lenta do Malfuf.
De
qualquer forma é importante que a música seja lenta, pelo menos na
maior parte do tempo, pois com o candelabro não é possível
realizar muita variedade de movimentos rápidos.
É uma dança
que requer mais movimentos delicados e sinuosos, além de bastante
equilíbrio.
http://www.centraldancadoventre.com.br/modalidades/15-danca-do-candelabro
segunda-feira, 14 de abril de 2014
sexta-feira, 11 de abril de 2014
segunda-feira, 7 de abril de 2014
OUM KANTHOUM
Oum Kanthoum foi uma cantora egípcia
que, não se sabe com precisão, entre 1894 e 1904. Nascida de uma
família pobre, demonstrou, desde cedo, seu talento indiscutível.
Seu pai era um imã local que convidava as pessoas para as orações
e recitava o Alcorão em ocasiões festivas.
Talvez, essa sua base
religiosa, musicalmente profunda no universo árabe, tenha lhe
oferecido a emoção inigualável em suas performances musicais. Aos
doze anos, seu pai a disfarçou de menino para que pudesse integrar a
companhia de recitação que ele dirigia. Quando sua família se
mudou para o Cairo, seu pai fez questão de contratar professores de
música para aperfeiçoar o talento da filha.
Orgulhosa de sua
origem humilde, Oum Kanthoum era uma mulher regiamente instruída,
versada em literatura árabe e francesa. Seu encontro com Ahmed Rami
renderam 137 canções e um aprofundamento na poesia árabe. Grandes
compositores criavam especialmente para ela. Atuou no cinema e
transitava do clássico ao popular. Suas músicas também falavam do
homem do povo e de suas lutas. Morreu no dia 03 de fevereiro de 1975,
vítima de um ataque cardíaco. Ouça sem olhar o relógio, permita
que a música te envolva e me conte a experiência. Beijos de
chocolate.
https://www.youtube.com/watch?v=LH9PklSzkAY
sexta-feira, 4 de abril de 2014
segunda-feira, 31 de março de 2014
A MULHER QUE SE DANÇA
A Dança do Ventre, como é
ocidentalmente conhecido o Raks el Shark, é mais que uma modalidade
de dança, é, vista em sua profundidade, um modo de ver o mundo e de
se colocar nele. Em uma sociedade fundada em preconceitos e
estereótipos, que facilmente esvazia e arranca as raízes de
qualquer construção cultural, a erotiza, a diminui, a transforma em
exercício para agradar ao macho, em comportamento de vadia, isso é,
na verdade, um contra-ataque de um imaginário misógino, eivado de
mecanismos que neutralizem qualquer empoderamento feminino. Deve-se
deixar a mulher alijada do próprio corpo, como se apenas o alugasse
ao real proprietário – o homem.
Uma atividade artística que celebra a
figura feminina em toda a sua complexidade e multiplicidade de
formatos é uma ameaça e algo quase incompreensível que a mulher
esteja se desenhando, se movimentando para si mesma, ficar bonita ela
sempre faz para o outro, não é o que dizem?
Pois bem, a dança do ventre não é
exercício de puteiro, não é venda de corpos, não é passatempo de
desocupadas, dança do ventre é um redimensionamento de identidade.
Treinadas que somos a obedecer, a fugir, a nos submetermos, a
estarmos doentiamente insatisfeitas com nossos corpos, nos
movimentarmos sendo bonitas agora e do jeito que somos, aprendendo a
levantar os ombros e o olhar a não temer a exposição é resgatar a
força feminina. Quem é mulher sabe que devemos andar nas ruas
evitando contato com o olhar porque isso “autoriza” uma abordagem
masculina, temos que tensionar o nosso corpo ao máximo enquanto
caminhamos para não atrairmos comentários ofensivos, estamos sempre
sendo obrigadas a nos travar inteiras, a não deixarmos nosso corpo
se expressar porque estamos constantemente sob ameaça de assédio.
Estamos constantemente bombardeados com
a concepção de que as mulheres são inimigas naturais e esse
comportamento já é reforçado culturalmente já no nascimento das
crianças. Não é segredo para ninguém, que, nos piores momentos de
uma mulher, quem a socorre é uma outra mulher. Pode ser uma vizinha,
uma professora, uma colega, uma desconhecida. Imagine se as mulheres
resolverem se aliar? Que perigo, não é?
Os movimentos ondulatórios, os
movimentos suaves, os movimentos de impacto, braços, face, tronco,
pernas, quadris, tudo vai ofertando ao corpo um novo vocabulário,
despertando o que foi soterrado, alimentando positivamente a imagem
de si mesma e o vigor da imagem apresentada ao outro.
Pense que a
dança do ventre oferece beleza e possibilidades às áreas do
estupro em nosso corpo. Nossos quadris são lindos e são nossos.
Nossos seios são lindos e são nossos. Entenda que
não há desejo de lutar contra a violência para quem não se sente
merecedor de respeito, de ser amado. Como demandar que a mulher pense
o seu corpo no mundo se ela está sufocada por um imaginário em que
a matéria dela está sempre a serviço de outros? O corpo nos
apresenta ao mundo e ele é o templo de passagem de nossa expressão,
de nosso conhecimento, de nossos medos, de nossa vitória. Que ele
seja luz e não caverna povoada de monstros maus.
Pense que um
projeto sem divulgação além do facebook e de um site institucional
atraiu mais de trezentas mulheres. Pense que elas estão em uma sala
sem piso especial, sem espelho e, mesmo assim, com chuva, greve de
ônibus, elas chegam. A arte é perigosa mesmo, né? Ela oferece
outras espécies de espelho.
sexta-feira, 28 de março de 2014
quinta-feira, 27 de março de 2014
terça-feira, 25 de março de 2014
segunda-feira, 24 de março de 2014
sexta-feira, 14 de março de 2014
quarta-feira, 12 de março de 2014
sexta-feira, 7 de março de 2014
quinta-feira, 6 de março de 2014
ELA SABE QUE É MAJESTADE
Primeiro, ela levantou os olhos
Viu ao redor, se atreveu a empinar o queixo
Descobriu que o mundo é um descobrir
E esticou-se toda na imponência de quem entendeu
Depois, uma cor nos lábios
Um desenho nos olhos
E a face relaxa, sorri
Tem algo naquele corpo que se remexe
É vontade de ser feliz
Fica ali de quadril largadinho
Se namorando toda
Encantada com o que os seus sentidos encontram
No seu corpo casando-se com a música
Aí ganha um jeito de cabeça,
A mão fica alongando-se
Deixa a roupa mais vibrante
E anda diferente
Essa mulher descobriu os oitos
E o movimento da vida
Contrair, descontrair
Fluxo e parada
Essa garota, já sei o que ela tem
Já sei o seu segredo
Essa pessoa descobriu que é rainha
Abre os braços e manda
"Se afaste com sua energia ruim que eu estou aqui"
Ah, lindeza feminina
Você descobriu a dança das arábias
Está aí de pezinho irrequieto
Doida para fazer o quadril falar
Ah, rainha, passa, atravessa
Que o mundo melhora ao te ver dançar
Viu ao redor, se atreveu a empinar o queixo
Descobriu que o mundo é um descobrir
E esticou-se toda na imponência de quem entendeu
Depois, uma cor nos lábios
Um desenho nos olhos
E a face relaxa, sorri
Tem algo naquele corpo que se remexe
É vontade de ser feliz
Fica ali de quadril largadinho
Se namorando toda
Encantada com o que os seus sentidos encontram
No seu corpo casando-se com a música
Aí ganha um jeito de cabeça,
A mão fica alongando-se
Deixa a roupa mais vibrante
E anda diferente
Essa mulher descobriu os oitos
E o movimento da vida
Contrair, descontrair
Fluxo e parada
Essa garota, já sei o que ela tem
Já sei o seu segredo
Essa pessoa descobriu que é rainha
Abre os braços e manda
"Se afaste com sua energia ruim que eu estou aqui"
Ah, lindeza feminina
Você descobriu a dança das arábias
Está aí de pezinho irrequieto
Doida para fazer o quadril falar
Ah, rainha, passa, atravessa
Que o mundo melhora ao te ver dançar
domingo, 2 de março de 2014
A ALMA DANÇANTE
Mulher apequenada, encolhida não mão daquele
Mulher desfeminina sofrendo no jeito daquele
Figura, sombra de deusa e o rosto comido de incertezas
Tudo correntes daquele
Mas está ali, eu vejo,
Está ali a fúria e a força vindas do poder da mãe terra
Estão em seus cabelos os ventos parados
Estão em seus dedos as joias do futuro
Escondidas por aquele
Está nos olhos dela, o sol
Está no corpo dela, a lua
Está na boca dela, as águas
Tudo estático, escondido, entalado
Levanta o queixo
Abre os seios ao tempo
E escancara-se inteira na construção da vida
Hora de diminuir aquele
Hora de pisar no sorriso mau daquele
Hora de ser mulher, viver mulher, encontrar-se mulher
Veja teus quadris em oitos, em curvas, em abismos de borboletas
Veja teus braços estendidos oferecendo as sementes
Veja teu busto ondulante sobre as águas, as caravelas e os homens
O teu olhar se inflama, estabelece a rota das conexões
Sai do canto, instala-se no centro, agiganta-se
Aquele, apavorado, aterrorizado, vê o seu poder diluindo-se
Perdendo-se em chicotes amolecidos
Teus dedos em flor
Teu tronco em cobras bailando
Tua língua em línguas divinas
Estás pronta!
Deusa, dança!
Mulher desfeminina sofrendo no jeito daquele
Figura, sombra de deusa e o rosto comido de incertezas
Tudo correntes daquele
Mas está ali, eu vejo,
Está ali a fúria e a força vindas do poder da mãe terra
Estão em seus cabelos os ventos parados
Estão em seus dedos as joias do futuro
Escondidas por aquele
Está nos olhos dela, o sol
Está no corpo dela, a lua
Está na boca dela, as águas
Tudo estático, escondido, entalado
Levanta o queixo
Abre os seios ao tempo
E escancara-se inteira na construção da vida
Hora de diminuir aquele
Hora de pisar no sorriso mau daquele
Hora de ser mulher, viver mulher, encontrar-se mulher
Veja teus quadris em oitos, em curvas, em abismos de borboletas
Veja teus braços estendidos oferecendo as sementes
Veja teu busto ondulante sobre as águas, as caravelas e os homens
O teu olhar se inflama, estabelece a rota das conexões
Sai do canto, instala-se no centro, agiganta-se
Aquele, apavorado, aterrorizado, vê o seu poder diluindo-se
Perdendo-se em chicotes amolecidos
Teus dedos em flor
Teu tronco em cobras bailando
Tua língua em línguas divinas
Estás pronta!
Deusa, dança!
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
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