Para dançar e ser feliz, observando a beleza do próprio corpo e a importância de ser única.
Rádio da Innana
quarta-feira, 25 de junho de 2014
FARIDA FAHMY
Farida Fahmy nasceu
em 1940 no Cairo, filha de uma britânica e de um engenheiro egípcio.
Sua biografia está visceralmente ligada à história de Reda Troupe,
um grupo que transformou em grandes espetáculos teatrais o folclore
egípcio. Sua irmã Nadya era casada com Mahmoud Reda, que resolveu
organizar juntamente com seu irmão, Ali Reda, um dos mais famosos
grupos da dança oriental. Conhecida pela suavidade com que
entrelaçava um movimento ao outro, é a única mulher co-pioneira do
grupo.
Aos dezessete, estrela seu primeiro filme. Casa-se com Ali Reda e são, assim, dois irmãos para duas irmãs. Durante a década de 70, passou a desenhar os figurinos para a troupe, que eram um primor de elegância, jogo de cores e qualidade. Recebeu o título de Star of Jordan (1965), Egypt's Order of Art and Science e The Order of Tunisia (1973). Tem mestrado em arte e etnologia da dança pela Universidade da Califórnia (UCLA) e já visitou mais de 60 países para apresentações e workshops. Foi estimulada a praticar esportes e a dançar desde a infância. Sua graciosidade e acuracidade técnica a tornam uma bailarina única. Afirmava ser uma flor em um buquê. Melda, nome original de Farida, acompanhada pela irmã e a mãe, confeccionaram os primeiros figurinos da Reda Troupe. Seu pai foi um grande incentivador de sua carreira e foi ameaçado várias vezes por permitir que suas filhas dançassem. Na revista americana Ballet Today (1961), apresentaram a seguinte fala de Hossam Fahmy, pai de Farida:
Aos dezessete, estrela seu primeiro filme. Casa-se com Ali Reda e são, assim, dois irmãos para duas irmãs. Durante a década de 70, passou a desenhar os figurinos para a troupe, que eram um primor de elegância, jogo de cores e qualidade. Recebeu o título de Star of Jordan (1965), Egypt's Order of Art and Science e The Order of Tunisia (1973). Tem mestrado em arte e etnologia da dança pela Universidade da Califórnia (UCLA) e já visitou mais de 60 países para apresentações e workshops. Foi estimulada a praticar esportes e a dançar desde a infância. Sua graciosidade e acuracidade técnica a tornam uma bailarina única. Afirmava ser uma flor em um buquê. Melda, nome original de Farida, acompanhada pela irmã e a mãe, confeccionaram os primeiros figurinos da Reda Troupe. Seu pai foi um grande incentivador de sua carreira e foi ameaçado várias vezes por permitir que suas filhas dançassem. Na revista americana Ballet Today (1961), apresentaram a seguinte fala de Hossam Fahmy, pai de Farida:
“Dançarinos
homens eram considerados efeminados e mulheres bailarinas
consideradas vulgares. Nossa meta é convencer as pessoas que dançar
é uma arte em que pessoas de boas famílias podem participar sem
embaraço. Minha família e amigos ficaram chocados quando souberam
que permiti que minha filha dançasse em um palco. Devo confessar que
eu fiquei em choque quando minha filha Nadeeda quis se casar com
Mahmoud Reda, mas eles me convenceram e agora queremos convencer o
público que dançar é uma arte. “
Farida se afastou
dos palcos com pena para fazer seu mestrado, mas seu pai a alertava
que era preciso alimentar a mente, já que a juventude tem fim e ela
não poderia estar nos palcos para sempre. Nas palavras dela:
“Eu estava
totalmente entregue ao que estava fazendo. Eu adorava estar no palco.
Eu adorava o palco. Eu tinha uma intuição de palco que raras
pessoas tinham. Eu sabia que as pessoas e amavam e sabia como chegar
até elas. Havia uma energia que eu sentia que vinha das pessoas, do
pública, da vida, da minha vida cotidiana, do taxista ao açouqueiro
e ao ministro.”
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Nós, os sem ninho
Disseram que
teríamos casa para ensinar
E nos deixaram sem
teto
Disseram que o bom
professor dá aula em qualquer lugar
E se esqueceram de
que o professor não é a vida
Não precisa o
médico de seus equipamentos?
Não precisa o
engenheiro de seu concreto?
Do que precisaria o
professor além de suas palavras?
De que precisariam
os construtores do saber além de seus corpos?
De um ninho
Assim como o pássaro
precisa usar toda sua tecnologia para proteger os filhotes
Não é o saber algo
a ser nutrido para que cresça sem limites?
O lugar dos
educadores é geográfico e é infinito
São espaços de
tijolos agasalhando o imensurável desenvolver das sementes humanas
Disseram que
deveríamos fazer a pedagogia da miséria
Enquanto recebiam as
brisas frescas em seus castelos
Disseram que a
educação não precisa de muito alimento
Enquanto arrotavam
seus estômagos entupidos de iguarias caras
Disseram que a culpa
da miséria é do miserável
E se esqueceram que
a culpa do oprimido é o opressor.
Disseram, disseram
muitas coisas
E suas palavras
soltas em ventanias
Aspergiram venenos e
discórdias
Colocando espelhos
em espelhos
Até que seus atos
não pudessem ser observados
E fizeram muito mais
com sua pedagogia do não
Mas, aqui,
empunhando esse conhecimento gerado pelos recursos dos homens,
da natureza, e do
pensar ininterrupto
Daqui, de onde
perduram os ideais
Eu vejo o lar dos
que ensinam
É uma casa de
enormes braços e janelas
É um ninho em que
são nutridos seres humanos de muitos caminhos
Daqui, de onde a
luta pela justiça se mostra desanimadora,
De onde irmão atira
contra irmão
Daqui, brota a força
vital do ensino
O inconformar-se
para construir
Disseram que é a
vontade que faz as coisas se acertarem
E apresentaram
pratos vazios para que os enchêssemos de comida apenas com nossa
fome
Disseram que o bom
educador tem uma estranha mágica
A mágica de ser
Deus, com a palavra, gerar a matéria
E o educador disse
“que se façam os livros”. E nenhuma folha brotou
E o educador disse
“que se façam os equipamentos”. E apenas o vento vazio soprou
Que nos desculpem os
reis encantados por reinados
Mas não somos Deus
Somos apenas seres
pequenos e mortais
Sem poder de
assinatura
Sem o cetro de
governar
Nosso poder é pouco
para os seus papéis
Ele é um gigante
quando toca a vida das pessoas
E, ao
apresentar-lhes que atrás dos castelos moram homens comuns afogados
em autocontemplação,
Verão que as
muralhas são apenas papel fino
Disseram que não
somos importantes
Mas nós não
ouvimos
E queremos nosso
campus para cultivo
E ele se encherá de
música, sonhos, ações, reações
Queremos vida em
nosso cultivo
E nós diremos
Isso é terra de
vida
Não é um túmulo
Aqui, serão tecidas
delicadas existências
Perenes resistências
Queremos o campus
para o trabalho e para a alegria
Porque nas palavras
que aqui temos
Está o coração do
futuro
segunda-feira, 16 de junho de 2014
NAIMA AKEF
1939-1966
Naima Akef era neta
de um ex-oficial, professor de ginástica e treinador que resolveu
entrar no ramo do circo. Seus pais eram acrobatas e, aos quatro anos
já se apresentava com a família. Aos quatorze anos, Naima enfrentou
o divórcio de seus pais. Seu avô conseguiu um teste para ela com
Badia Masabni, e ela conseguiu seu primeiro contrato. Aos quinze
anos, já era uma bailarina conhecida. No Ki Kat Club conheceu seu
futuro marido, Hussein Fawzy, uma famoso diretor de cinema, e apesar
da diferença de 25 anos deidade, se casaram. Aos quinze anos, ela
já era uma estrela de cinema.
Ganhou vários concursos. Dançou mais em
filmes que em clubes noturnos. Ficou conhecida pela sua generosidade
e disponibilidade em ajudar. Era excelente na criação de suas
rotinas de dança e também seguia com rigor as coreografias feitas
para ela. Contam-se duas famosas histórias a respeito de Naima. Uma
delas, ela, ao invés de descansar nos intervalos das gravações de
um filme, se dispõe a ensinar uma das figurantes que estava com
dificuldade em executar os passos. A outra conta que Naima despertou
muita inveja nas bailarinas que se apresentavam com ela no Badia
Club. As invejosas se juntaram para machucá-la, mas ela conseguiu se
defender e revidar graças a sua força e agilidade. Todavia, perdeu
o emprego e conseguiu se posicionar no clube onde encontrou seu
primeiro marido. As raízes ciercenses de Naima encontram expressão
em sua dança, na expressividade de seus movimentos, na
expressividade que lhes oferece, na teatralidade de suas
apresentações.
Ela se divorciou de
se seu marido em 1958 e casou-se, posteriormente, com Salah Abdel
Aleem, com quem teve um filho. Retirou-se ainda cedo dos palcos e do
cinema para dedicar-se a seu filho. Naima morreu, aos 27 anos, vítima
de câncer.
sexta-feira, 6 de junho de 2014
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