Disseram que
teríamos casa para ensinar
E nos deixaram sem
teto
Disseram que o bom
professor dá aula em qualquer lugar
E se esqueceram de
que o professor não é a vida
Não precisa o
médico de seus equipamentos?
Não precisa o
engenheiro de seu concreto?
Do que precisaria o
professor além de suas palavras?
De que precisariam
os construtores do saber além de seus corpos?
De um ninho
Assim como o pássaro
precisa usar toda sua tecnologia para proteger os filhotes
Não é o saber algo
a ser nutrido para que cresça sem limites?
O lugar dos
educadores é geográfico e é infinito
São espaços de
tijolos agasalhando o imensurável desenvolver das sementes humanas
Disseram que
deveríamos fazer a pedagogia da miséria
Enquanto recebiam as
brisas frescas em seus castelos
Disseram que a
educação não precisa de muito alimento
Enquanto arrotavam
seus estômagos entupidos de iguarias caras
Disseram que a culpa
da miséria é do miserável
E se esqueceram que
a culpa do oprimido é o opressor.
Disseram, disseram
muitas coisas
E suas palavras
soltas em ventanias
Aspergiram venenos e
discórdias
Colocando espelhos
em espelhos
Até que seus atos
não pudessem ser observados
E fizeram muito mais
com sua pedagogia do não
Mas, aqui,
empunhando esse conhecimento gerado pelos recursos dos homens,
da natureza, e do
pensar ininterrupto
Daqui, de onde
perduram os ideais
Eu vejo o lar dos
que ensinam
É uma casa de
enormes braços e janelas
É um ninho em que
são nutridos seres humanos de muitos caminhos
Daqui, de onde a
luta pela justiça se mostra desanimadora,
De onde irmão atira
contra irmão
Daqui, brota a força
vital do ensino
O inconformar-se
para construir
Disseram que é a
vontade que faz as coisas se acertarem
E apresentaram
pratos vazios para que os enchêssemos de comida apenas com nossa
fome
Disseram que o bom
educador tem uma estranha mágica
A mágica de ser
Deus, com a palavra, gerar a matéria
E o educador disse
“que se façam os livros”. E nenhuma folha brotou
E o educador disse
“que se façam os equipamentos”. E apenas o vento vazio soprou
Que nos desculpem os
reis encantados por reinados
Mas não somos Deus
Somos apenas seres
pequenos e mortais
Sem poder de
assinatura
Sem o cetro de
governar
Nosso poder é pouco
para os seus papéis
Ele é um gigante
quando toca a vida das pessoas
E, ao
apresentar-lhes que atrás dos castelos moram homens comuns afogados
em autocontemplação,
Verão que as
muralhas são apenas papel fino
Disseram que não
somos importantes
Mas nós não
ouvimos
E queremos nosso
campus para cultivo
E ele se encherá de
música, sonhos, ações, reações
Queremos vida em
nosso cultivo
E nós diremos
Isso é terra de
vida
Não é um túmulo
Aqui, serão tecidas
delicadas existências
Perenes resistências
Queremos o campus
para o trabalho e para a alegria
Porque nas palavras
que aqui temos
Está o coração do
futuro
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