Soheir Zaki nasceu
na década de 40 em Mansoura, no Egito, em uma época em que
mudanças sociais estavam acontecendo, casamentos urbanos se tornavam
cada vez menos segregadores e um convívio maior entre extratos
sociais aconteciam, os Wahalim, grupos liderados por uma mulher, a
Usta, começaram a se dispersar e a fazer com que as bailarinas se
encarregassem de promover suas carreiras. Soheir, aos nove anos, já
animava festas de casamentos de amigos e familiares. Mudando-se,
ainda muito jovem, para Alexandria, e, sem seguida, para o Cairo,
onde começou a dançar em pequenos e grandes clubes, foi reprovada
em um teste para apresentadora de televisão, mas construiu uma
sólida e grandiosa carreira como bailarina e nos filmes em que
atuou. Aprendeu a dançar em um autodidatismo gerado pelas músicas
que ouvia pelo rádio e inspirada por bailarinas como Samia Gamal e
Tahia Carioca. Foi a primeira bailarina oriental a dançar uma música
da reverenciada Oum Kanthoum. Arriscou-se e foi elogiada pela própria
cantora.
O terceiro presidente do Egito, Mohammed Anwar Al Sadat
afirmou que Soheir Zaki é a Oum Kanthoum da dança, enquanto ela
canta com a voz, você canta com seu corpo” Era uma bailarina de
estilo preciso delicado, que não se valia de artefatos ou de outras
bailarinas, apenas ela e sua orquestra. A música Shik Shak Shok foi
escrita especialmente para ela. Ao contrário da maioria das
bailarinas de sua época, ela não contratava coreógrafos para
auxiliá-la, preferia ser a música, deixar que a própria música
guiasse seu corpo.
Na década de 90, o
declínio econômico e uma onda de conservadorismo quebraram a época
de ouro da dança e Soheir aposentou-se em maio de 2001 e ficou a
ensinar centenas de bailarinas.
Uma de suas frases
mais fortes “Elas (as bailarinas ocidentais de sua época) nunca
atingirão o nível das bailarinas egípcias. Elas não possuem o
espírito vivaz, elas não têm o senso de humor, elas não têm o
ouvido musical. Elas somente executam os passos que aprendem 1, 2, 3,
4. Mas elas não têm o espírito.” Apesar da controversa
afirmação, fica o ensinamento de que a música deve vibrar dentro
da bailarina para que a dança tenha alma.

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