Rádio da Innana

terça-feira, 20 de maio de 2014

SUHEIR ZAKI



Soheir Zaki nasceu na década de 40 em Mansoura, no Egito, em uma época em que mudanças sociais estavam acontecendo, casamentos urbanos se tornavam cada vez menos segregadores e um convívio maior entre extratos sociais aconteciam, os Wahalim, grupos liderados por uma mulher, a Usta, começaram a se dispersar e a fazer com que as bailarinas se encarregassem de promover suas carreiras. Soheir, aos nove anos, já animava festas de casamentos de amigos e familiares. Mudando-se, ainda muito jovem, para Alexandria, e, sem seguida, para o Cairo, onde começou a dançar em pequenos e grandes clubes, foi reprovada em um teste para apresentadora de televisão, mas construiu uma sólida e grandiosa carreira como bailarina e nos filmes em que atuou. Aprendeu a dançar em um autodidatismo gerado pelas músicas que ouvia pelo rádio e inspirada por bailarinas como Samia Gamal e Tahia Carioca. Foi a primeira bailarina oriental a dançar uma música da reverenciada Oum Kanthoum. Arriscou-se e foi elogiada pela própria cantora. 

O terceiro presidente do Egito, Mohammed Anwar Al Sadat afirmou que Soheir Zaki é a Oum Kanthoum da dança, enquanto ela canta com a voz, você canta com seu corpo” Era uma bailarina de estilo preciso delicado, que não se valia de artefatos ou de outras bailarinas, apenas ela e sua orquestra. A música Shik Shak Shok foi escrita especialmente para ela. Ao contrário da maioria das bailarinas de sua época, ela não contratava coreógrafos para auxiliá-la, preferia ser a música, deixar que a própria música guiasse seu corpo.
Na década de 90, o declínio econômico e uma onda de conservadorismo quebraram a época de ouro da dança e Soheir aposentou-se em maio de 2001 e ficou a ensinar centenas de bailarinas.

Uma de suas frases mais fortes “Elas (as bailarinas ocidentais de sua época) nunca atingirão o nível das bailarinas egípcias. Elas não possuem o espírito vivaz, elas não têm o senso de humor, elas não têm o ouvido musical. Elas somente executam os passos que aprendem 1, 2, 3, 4. Mas elas não têm o espírito.” Apesar da controversa afirmação, fica o ensinamento de que a música deve vibrar dentro da bailarina para que a dança tenha alma.

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