Para dançar e ser feliz, observando a beleza do próprio corpo e a importância de ser única.
Rádio da Innana
quarta-feira, 28 de maio de 2014
terça-feira, 27 de maio de 2014
segunda-feira, 26 de maio de 2014
MONAH SAID
Nascida Monah
Ibrahim Wafa, no Egito, fugiu para o Líbano aos treze anos para
atuar profissionalmente na dança e para fugir de seu pai, que queria
matá-la por envergonhar a família sendo bailarina. Alertada pela
mãe, fugiu. Cinco anos depois, em 1975, retornava ao Cairo já como
bailarina reconhecida no Oriente.
Tahia Carioca a apelidou de
princesa do Raks Shark. Sempre buscava os melhores músicos para suas
apresentações e gostava de se apresentar com grandes orquestras.
Sua leitura musical era tão precisa que, por vezes, ela comandava os
músicos e, em outras, os músicos a conduziam. Foi estrela de sete
filmes. Seu estilo preciso, tipicamente egípcio, de movimentos
contidos, braços liricamente trabalhados e sua ênfase em movimentos
de contenção pélvica apresentaram ao universo da dança novas
leituras. Sua apreciação dos humores da música apresentavam à
plateia o amor pela dança, seus movimentos fluidos, bem marcados,
resultado de grande controle corporal, evidenciam seu grande domínio
técnico.
É uma bailarina alta, de 1,75 m. Uma das suas assinaturas
é parar em alguns momentos para enfatizar um movimento. Em uma das
aulas de Monah, ela ensinava, “não comece o círculo mostrando seu
estômago” , “traga seu interior para fora”, “ame a si mesma
que os outros a amarão”. Ouviu, aos treze anos, quando dançava
em um clube chamado Triang a Go Go, foi chamada por Anwar Amar, que
lhe disse que deveria se tornar bailarina profissional, pois era
bonita e dançava muito bem. Leila Murad, uma grande cantora da
época, estava ao lado dele e reforçou “você deve dançar, você
tem um aparência artística. E nunca se case, dedique-se a sua
dança.” Casou-se sete vezes e seu primeiro marido era filho do
presidente do Líbano. Questionada pela quantidade de casamentos,
responde “Eu gosto de homens. Por isso mudo tanto”. Não
conseguiu ter filhos.
Uma de suas frases,
“Se você é uma boa bailarina, se você tem um bom estilo, você
voa como um Concorde. Você não tem que se sentar no chão, comer
areia ou pedras. Eu sou um Concorde”. Dançava na meia ponta,
gostava de marcar as contenções e de marcar os shimmies com a perna
de trás e marcava esse movimento com uma contenção de abdômen.
Seus figurinos luxuosos são referência até hoje. Quanto à
carreira de bailarina, dizia que não gostava de dançar noite, após
noite, ano após ano, que gostava de dar pausas, para que a dança
não se transformasse um fardo. Foi uma das treinadoras das
bailarinas de Bellydance Superstars.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
NAGWA FOUAD
Awatef Mohammed El
Agamy, conhecida comoNajwa Fouad, nasceu em 06 de janeiro de 1939,
filha de pai egípcio e mãe palestina, começou a dançar aos 14
anos em festas tradicionais. A família mudou-se para o Cairo depois
que ela percebeu que poderia dançar profissionalmente. Dançou em
pequenos clubes antes de chegar às grandes casas de espetáculo.
Era
elogiada pela sensibilidade, delicadeza e técnica. Estudou vários
estilos ocidentais como ballet, jazz, sapateado, flamenco, tango além
de aprofundar-se nas danças orientais. Brilhava tanto nas fusões
que realizava quanto nos estilos clássicos e tradicionais.
Como
Hossam Hamzy afirma, era uma bailarina que mostrava a música em 3D,
que personificava a música produzida pela orquestra. Foi casada com
Ahmad Fuad Hassam, produtor e viloinista que a convenceu a fazer
performance no palco de City Lights, onde grandes nomes da música
haviam se apresentado. Como ela mesma afirmou: “Hassam era
dezessete anos mais velho que eu, mas eu precisava dele, ele
desenvolveu meus talentos amadores”. A união durou seis anos e
dissolveu-se porque Nagwa não desejava filhos. Atuou em muitos
filmes, como Sharei El Hob (The Street of Love). Para ela, Mohammed
Abdel Wahab compôs Amar Abaatasher. (a lua de 14 de julho, a face
mais bonita). Quando se aposentou, dedicou-se ao cinema
integralmente. De personalidade forte e extrovertida, alguns artigos
afirmam que Nagwa não apreciava suas contemporâneas Dina, Suheir
Zaki, Tahya Carioca e Samia Gamal. Em uma entrevista, chegou a
afirmar que Dina não prendia sua atenção. Nas palavras de Nagwa,
“essa dança não é apenas sacudir sua cintura e sua bunda”.
terça-feira, 20 de maio de 2014
SUHEIR ZAKI
Soheir Zaki nasceu
na década de 40 em Mansoura, no Egito, em uma época em que
mudanças sociais estavam acontecendo, casamentos urbanos se tornavam
cada vez menos segregadores e um convívio maior entre extratos
sociais aconteciam, os Wahalim, grupos liderados por uma mulher, a
Usta, começaram a se dispersar e a fazer com que as bailarinas se
encarregassem de promover suas carreiras. Soheir, aos nove anos, já
animava festas de casamentos de amigos e familiares. Mudando-se,
ainda muito jovem, para Alexandria, e, sem seguida, para o Cairo,
onde começou a dançar em pequenos e grandes clubes, foi reprovada
em um teste para apresentadora de televisão, mas construiu uma
sólida e grandiosa carreira como bailarina e nos filmes em que
atuou. Aprendeu a dançar em um autodidatismo gerado pelas músicas
que ouvia pelo rádio e inspirada por bailarinas como Samia Gamal e
Tahia Carioca. Foi a primeira bailarina oriental a dançar uma música
da reverenciada Oum Kanthoum. Arriscou-se e foi elogiada pela própria
cantora.
O terceiro presidente do Egito, Mohammed Anwar Al Sadat
afirmou que Soheir Zaki é a Oum Kanthoum da dança, enquanto ela
canta com a voz, você canta com seu corpo” Era uma bailarina de
estilo preciso delicado, que não se valia de artefatos ou de outras
bailarinas, apenas ela e sua orquestra. A música Shik Shak Shok foi
escrita especialmente para ela. Ao contrário da maioria das
bailarinas de sua época, ela não contratava coreógrafos para
auxiliá-la, preferia ser a música, deixar que a própria música
guiasse seu corpo.
Na década de 90, o
declínio econômico e uma onda de conservadorismo quebraram a época
de ouro da dança e Soheir aposentou-se em maio de 2001 e ficou a
ensinar centenas de bailarinas.
Uma de suas frases
mais fortes “Elas (as bailarinas ocidentais de sua época) nunca
atingirão o nível das bailarinas egípcias. Elas não possuem o
espírito vivaz, elas não têm o senso de humor, elas não têm o
ouvido musical. Elas somente executam os passos que aprendem 1, 2, 3,
4. Mas elas não têm o espírito.” Apesar da controversa
afirmação, fica o ensinamento de que a música deve vibrar dentro
da bailarina para que a dança tenha alma.
segunda-feira, 19 de maio de 2014
sexta-feira, 16 de maio de 2014
segunda-feira, 12 de maio de 2014
DANÇA DO VENTRE E FIBROMIALGIA
O diagnóstico de fibromialgia é uma conjunto de desenganos, desrespeitos e desencontro de informações. Até o paciente alcançar essa constatação pela medicina, ele já passou pelo ortopedista, neurologista, psiquiatra, constrangimento familiar, acusações de preguiça e mania de doença. Porque a fibromialgia não aparece no raio-x, no exame de sangue, na tomografia. E, mesmo assim, é uma dor viajante, que deixa suas pegadas fincadas em todo o corpo e que acaba levando à exaustão pela constância do sofrimento e do sono não-reparador. Dizer se a depressão é uma consequência da fibromialgia ou a fibromialgia é uma consequência da depressão, isso ninguém conseguiu responder.
Após um exame no próprio consultório do médico, em que ele irá tocar os chamados pontos de dor, que são dezoito, a paciente pode receber o diagnóstico de fibromialgia se onze deles doerem ao serem tocados. Eu tenho os dezoito e acredito ter inventado outros. Não é uma dor localizada, é o corpo todo doendo difusamente, e, quando a dor é grande, a agonia que dá é como se tivessem nos aplicado um opiáceo, como se estivéssemos profetizando grandes desgraças. E não se dorme ou se dorme muito mal.
Os tratamentos são múltiplos e geralmente integram atividade física, medicação e acompanhamento psicológico. Eu já fiz hidroginástica, hidroterapia, acupuntura, massagem, pilates, natação, tomei lyrica 150mg três vezes ao dia, cymbalta 60mg duas vezes ao dia, passei pelos rivotril, cloridratos da vida... Até que um dia, resolvi dançar. Garanto que eu não me levanto saltitante e vou para a aula de dança, eu me arrasto da minha dor até lá, mas quando a aula começa, não sinto dor, tristeza e mesmo algumas horas depois, ainda sinto bem-estar.
Não vou mentir que a dança do ventre e o balé zeraram minhas dores, mas eles são o melhor tratamento de todos os que experimentei, e, deles, os efeitos colaterais são um corpo mais saudável, forte, flexível, bem diferente dos estragos que os outros remédios provocam. Comecei a dança do ventre há mais de seis anos. Interrompi esse percurso várias vezes, sendo derrotada pelo desânimo e pela dor. Há três anos, resolvi levar a sério, parar de pagar mensalidades e desaparecer das aulas. Fiz dança contemporânea, comecei a fazer balé em seguida e não faltei mais à minha dança do ventre.
Coloquei como tão importante quanto meu trabalho e a educação dos meus filhos. E fui percebendo que, quanto mais tempo de dança eu fazia, mais minha qualidade de vida aumentava. Alcancei resistência, fôlego, e minha percepção positiva das coisas aumentou. Sinto muitas dores, mas, agora, é como seu estivesse em alto-mar sabendo o endereço de cada ilha onde tem água e areia morna para descansar. Sempre que chego das aulas, estou em paz, cheia de energia e sem dor alguma. Mesmo depois de alongamentos punk da aula de balé.
Finalmente, aos 36 anos, consegui achar bonito o que está no espelho, consegui me enxergar mulher e uma satisfação com meu corpo que nunca pensei em atingir. Não mudaria nada, nem minha pele da barriga toda soltinha depois de duas gravidezes em que engordei mais de vinte quilos em cada uma. A dança do ventre traz o prazer do movimento, me coloca em movimentos que meu corpo alcança, tenho prazer enorme nos sinuosos, gosto de sentir meus músculos sendo trabalhados e atuando em função da dança. O que mais me exige treinamento são os shimmies, tremidos, porque eles demandam pernas e quadril e, por vezes, a fibromialgia provoca uma tensão tão grande em todo corpo que os movimentos todos se travam, preciso me aquecer nos sinuosos, me alongar e só aí alcançar esses movimentos.
Acho lindo o jogo com o tronco, os cambrets, mas tenho três hérnias na coluna que me exigem cuidado. Todavia, sinceramente, não são elas que me seguram na extensão desses passos, são os músculos que se retesam e seguram. Nessas horas, melhor aquecer tudo de novo. Todo o corpo fica em estado de tensão por causa das dores, por isso preciso tanto me alongar e por isso preciso tanto do balé para fortalecer minha musculatura de forma ainda mais acentuada.
Houve um dia em especial, que cheguei em casa aos prantos, porque nenhuma das sequências que planejei fazer ficaram boas porque meu corpo se recolheu a si mesmo e me deixou à deriva da dança que tanto amo. Pensei em desistir e me entregar. Para que insistir em algo onde eu nunca alcançaria a excelência, em que estaria sempre estagnada na mediocridade. Ainda bem que tenho amigos e professoras que me empurraram, me abraçaram e me olharam com a generosidade que eu mesma era incapaz de me dar.
E continuei, me obriguei, porque, para um corpo fraco, há que se ter um espírito forte. E cheguei a uma conclusão que funcionou como um bálsamo milagroso, uma anestésico para a dor, uma cura mental e física. Eu estava olhando tudo errado. Eu estava com o espírito perverso da competição ao invés da evolução. E, finalmente, entendi, que meu corpo é muito maior que o destino a ele dado. Entendi que meu corpo é meu amigo, que quando um movimento foge de seu alcance, ele me dá outro tão bonito quanto. Entendi que meu corpo não é incapaz. Meu corpo é um universo colorido cheio de novas entradas e saídas e todas elas podem me levar a danças ainda não feitas, a histórias que quero contar, a um mundo onde é possível não ser definido pela dor. Dançar é uma oração que faço todos os dias. Com a dança, enfeito o meu altar mais valioso, o meu corpo.
Hoje, sou professora de dança do ventre, porque eu quero oferecer às mulheres o espelho que elas merecem. Que elas se fortaleçam, não para competirem entre si, mas para crescerem juntas, mudarem o mundo com sua sinergia. Obrigada, fibromialgia, sem você, eu não teria me dedicado tanto. Sem a minha asinha quebrada, eu não teria voado tanto...
domingo, 11 de maio de 2014
segunda-feira, 5 de maio de 2014
sexta-feira, 2 de maio de 2014
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