Nascida Monah
Ibrahim Wafa, no Egito, fugiu para o Líbano aos treze anos para
atuar profissionalmente na dança e para fugir de seu pai, que queria
matá-la por envergonhar a família sendo bailarina. Alertada pela
mãe, fugiu. Cinco anos depois, em 1975, retornava ao Cairo já como
bailarina reconhecida no Oriente.
Tahia Carioca a apelidou de
princesa do Raks Shark. Sempre buscava os melhores músicos para suas
apresentações e gostava de se apresentar com grandes orquestras.
Sua leitura musical era tão precisa que, por vezes, ela comandava os
músicos e, em outras, os músicos a conduziam. Foi estrela de sete
filmes. Seu estilo preciso, tipicamente egípcio, de movimentos
contidos, braços liricamente trabalhados e sua ênfase em movimentos
de contenção pélvica apresentaram ao universo da dança novas
leituras. Sua apreciação dos humores da música apresentavam à
plateia o amor pela dança, seus movimentos fluidos, bem marcados,
resultado de grande controle corporal, evidenciam seu grande domínio
técnico.
É uma bailarina alta, de 1,75 m. Uma das suas assinaturas
é parar em alguns momentos para enfatizar um movimento. Em uma das
aulas de Monah, ela ensinava, “não comece o círculo mostrando seu
estômago” , “traga seu interior para fora”, “ame a si mesma
que os outros a amarão”. Ouviu, aos treze anos, quando dançava
em um clube chamado Triang a Go Go, foi chamada por Anwar Amar, que
lhe disse que deveria se tornar bailarina profissional, pois era
bonita e dançava muito bem. Leila Murad, uma grande cantora da
época, estava ao lado dele e reforçou “você deve dançar, você
tem um aparência artística. E nunca se case, dedique-se a sua
dança.” Casou-se sete vezes e seu primeiro marido era filho do
presidente do Líbano. Questionada pela quantidade de casamentos,
responde “Eu gosto de homens. Por isso mudo tanto”. Não
conseguiu ter filhos.
Uma de suas frases,
“Se você é uma boa bailarina, se você tem um bom estilo, você
voa como um Concorde. Você não tem que se sentar no chão, comer
areia ou pedras. Eu sou um Concorde”. Dançava na meia ponta,
gostava de marcar as contenções e de marcar os shimmies com a perna
de trás e marcava esse movimento com uma contenção de abdômen.
Seus figurinos luxuosos são referência até hoje. Quanto à
carreira de bailarina, dizia que não gostava de dançar noite, após
noite, ano após ano, que gostava de dar pausas, para que a dança
não se transformasse um fardo. Foi uma das treinadoras das
bailarinas de Bellydance Superstars.

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